Município de Rubim em processo de desertificação, segundo estudos PAE/MG


Um terço do território mineiro corre o risco de virar deserto se nada for feito para combater a degradação do solo. A ameaça, que pode se concretizar em 20 anos, recai sobre 142 municípios que ocupam 177 mil quilômetros quadrados na Região Norte e nos vales do Jequitinhonha e Mucuri, onde predominam os climas semiárido e subúmido seco e de entorno.

As áreas, de baixa precipitação pluviométrica, já são suscetíveis à desertificação, que torna inviável o uso delas para fins econômicos e sociais. Para piorar, o processo é acelerado pela ação do homem, como indica o Plano de Ação Estadual de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca em Minas Gerais (PAE/MG). O estudo foi elaborado pelo Governo do Estado, conforme exigência do Ministério do Meio Ambiente.

Matas ciliares do rio Jequitinhonha e afluentes pouco existem. Atividades intensas de agricultura e pecuária, desmatamento indiscriminado, irrigação mal planejada e cultivo de monoculturas em ecossistemas frágeis, de baixa capacidade de regeneração, levam à perda da capacidade produtiva do solo e da biodiversidade. De acordo com o engenheiro agrônomo Djalma Marcelino Duarte, os municípios de Francisco Sá, Verdelândia, Monte Azul, Mato Verde e Espinosa, no Norte do Estado, além de Santo Antônio do Jacinto, Pedra Azul e Rubim, no Vale do Jequitinhonha, já se encontram em processo de desertificação.

Da exuberante Mata Atlântica nativa de nossa região, resta pouco. No município de Rubim, restam apenas 7%. Dos municípios que compõem a micro-região do Baixo Jequitinhonha, o de Jequitinhonha é o que tem o maior percentual de preservação da mata nativa (22%). Em seguida vem o município de Almenara. A pior situação é a do município de Santo Antônio do Jacinto, com apenas 4% da cobertura nativa original. Estes dados são do SISEMA-Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos hídricos/MG.


Apontando para cima DIAGNOSTICO AMBIENTAL DE RUBIM, por Ivanilson Costa Barros


BIOMAS

Djalma explica que estas regiões, onde se encontram os biomas Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica, apresentam distribuição irregular de chuva. Desta forma, sofrem com o prolongado e rigoroso período de seca, agravado por altas temperaturas. O solo, frágil, ainda é danificado por atividades agropecuárias insustentáveis, queimadas e uso de agrotóxicos. Com o passar dos anos, a terra fica sem nutrientes, impossibilitando o crescimento de qualquer tipo de vegetação – florestas naturais ou plantações feitas pelo homem. Somado a isso, o desmatamento contribui para deixar o solo liso. Sem a cobertura vegetal, que serve para amortecer as gotas de chuva, a água carrega a terra, abrindo sulcos no terreno.

O uso irregular começa, principalmente, a partir dos anos 1970, com a introdução de tratores. Isso contribuiu para o agravamento da situação nestes municípios”, diz o engenheiro agrônomo. Além da questão ambiental, a perda da capacidade produtiva influência no desenvolvimento econômico e social destas regiões. “Sem terra para cultivar, famílias precisam se deslocar para outras regiões”, explica.

No Brasil, o fenômeno da desertificação acontece em todo o Nordeste do país, no Norte de Minas e do Espírito Santo. Desde 2003, ações do Ministério do Meio Ambiente tentam conter o processo. A Organização das Nações Unidas (ONU) de fine desertificação como danos em áreas de clima semiárido, árido e subú-mido seco. As terras perdem o potencial produtivo devido a variações climáticas, como o aquecimento global, à escassez de chuvas e a atividades humanas degradantes, com impactos ambientais, sociais e econômicos.

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Fonte: Blog do Banu, com texto do Sérgio Vasconcelos, da Gazeta de Araçuaí. Adaptações Kawan Dutra.


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4 comentários

4 thoughts on “Município de Rubim em processo de desertificação, segundo estudos PAE/MG

  1. zilma

    Isto é muito grave, não só para o meio ambiente, mas pricipalmente para o ser humano que vive diretamente do campo que é muito comum na nossa região.

  2. Davi Ramalho

    Como estudante da área de meio ambiente percebo que a falta de políticas preventivas ao meio ambiente é um problema em o todo Brasil. As pessoas não entendem que desmatando, destruindo e poluindo ninguém é mais prejudicado do que a própria população. Na região de Rubim, os fazendeiros só não desmatam o que é exigido por lei porque no resto da propriedade é difícil encontrar uma árvore se quer.

  3. Angela Maria D.Dutra

    Parabéns, Kawan Dutra, pela postagem. Matéria de interesse público e que traz a tona a necessidade dos nossos fazendeiros, de preservar as nascentes, cuidar das nossas matas.
    Também quanto à queda da qualidade do ensino. Precisamos sim, de professores mais capacitados, alunos mais comprometidos e pais mais presentes nas escolas. Fiquei surpresa com a municipalização do Cardel Leme, cobre das autoridades competentes, políticas de educação que promovam a capacitação dos professores, promova reuniões entre estudantes, pais de alunos, colegiado, enfim…. busque alternativa para a melhoria do ensino. Cobre, mas cobre com sabedoria.
    Um abraço.

  4. Camilla - Natural do Vale do Jequitinhonha

    É triste ver a “desconstrução” de uma região na qual nascemos e nos criamos. A luta contra a acelerada desertificação tem quer ser em conjunto (população, prefeituras e órgãos governamentais). Prefeituras, população e órgãos governamentais tem que se unirem.
    – Não adianta a população ficar de braços cruzados a espera de atitudes políticas, ela tem que cobrar, se articular e fazer a sua parte (nem que seja na forma de trabalho de formiguinha cuidando da sua própria (ex-)nascente e curso d’água);
    – não basta a prefeitura ficar a espera de recursos federais, ela tem que correr atrás de recursos estras, mobilizar suas comunidades e criar projetos e parcerias ambientais;
    – não adiantará o governo federal simplesmente liberar verba se não estiver realmente engajado e comprometido em dar assistência e não englobar a comunidade afetada nas ações.

    Se é possível realmente fazer algo?
    Já existe um trabalho concreto, exemplo de recuperação de nascentes e cursos d’água. Já assistiram o documentário “Sal da Terra”? Se informem sobre o Instituto Terra http://www.institutoterra.org/

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