Geologia de Rubim e região


Quando se vai a Rubim, fica-se admirado com a variedade e a beleza das formas arredondadas dos picos graníticos. Mas, afinal de contas, como estas montanhas surgiram? Por que elas estão lá? Neste texto vamos tentar explicar, de maneira simples, a história geológica das montanhas apresentadas neste capítulo.

Na região de Rubim, Almenara, Salto da Divisa, Santo Antônio do Jacinto (nordeste de Minas Gerais), afloram rochas classificadas pelos geólogos em uma unidade denominada “Complexo Jequitinhonha”. A história deste “complexo”, como o nome já diz, não é de fácil compreensão. Ele é constituído por vários tipos de rochas metamórficas, como gnaisses migmatíticos com intercalações de quartzitos e calcissilicáticas, além das intrusões de rochas graníticas, que são de especial interesse dos escaladores.

Os gnaisses são rochas de aspecto listrado, parecendo o pêlo das zebras, com bandas/faixas alternadas, de cores escuras e claras. No caso desta região, os gnaisses são derivados de sedimentos e não de rochas ígneas. Os quartzitos formam algumas “chapadas” e são derivados de pacotes de

areia. As “calcissilicáticas”, ricas em cálcio e sílica, provavelmente são derivadas de uma mistura de “calcário” com lama. Todos estes sedimentos deviam estar no litoral de um antigo continente.

Entre 600 e 550 milhões de anos atrás, o atual continente da América do Sul se uniu ao continente africano para formar um grande paleo-continente, denominado “Gondwana” pelos geólogos. O encontro de massas continentais é uma “trombada de gigantes” e o resultado foi a formação de uma grande cordilheira de montanhas. Este é o mesmo tipo de evento que ocorre hoje em dia entre a Ásia e a Índia mas que começou a cerca de 60 milhões de anos. Devido à “trombada” da Índia na gigantesca Ásia, a mais elevada cadeia de montanhas do mundo foi criada, o “Himalaia”, e ela continua sendo empurrada para cima, à medida que a Índia se movimenta lentamente para o norte. Você sabia que o Monte Everest continua “crescendo”, Apesar disto ele não irá subir muito, pois o peso da montanha esmaga as rochas abaixo, compensando parcialmente o fenômeno, sem contar os efeitos erosivos do gelo.

As montanhas formadas aqui no atual Brasil já foram rebaixadas pela erosão ao longo dos milhões de anos que se passaram desde sua formação. Ainda na época, devido à “trombada continental”, nas profundezas da Terra, na “raíz” das montanhas, aumentaram as condições de pressão e temperatura. A cerca de 20 Km de profundidade, as pressões eram superiores a 4.000 vezes a pressão atmosférica, e as temperaturas eram da ordem de 600-700ºC. Submetidas a estas condições extremas, as rochas começaram então a derreter. Parte do material fundido ficou lá, mas a parte mais líquida, com menor densidade, começou a “boiar”, subindo lentamente em direção à superfície. À medida em que subia, esta “sopa de minerais “ ia se esfriando e novos cristais começaram a se formar.

Como estamos tratando de uma “trombada de continentes”, o volume dos materiais envolvidos é muito grande. A “super-gota” de magma (a sopa de minerais) formada chegou a atingir centenas de Km² em área. As zonas que sofreram menos os efeitos da trombada formaram núcleos resistentes, que dão origem à típica morfologia de “pães-de-açúcar” da fronteira de Minas com Bahia e Espírito Santo. Estes núcleos são geralmente constituídos de “granitos”, termo utilizado aqui para descrever rochas ígneas cujos cristais constituintes são grandes o suficiente para serem distinguidos a olho nu. A composição simplificada de um granito é: quartzo, um mineral normalmente transparente e brilhante; mica, um mineral que parece uma chapinha e feldspato, que nas rochas de Rubim podem ser grandes cristais retangulares, com 3 a 8 centímetros de comprimento, às vezes orientados segundo uma mesma direção.

Os granitos de Rubim e Jacinto formaram-se a partir do derretimento das rochas, em grande profundidade, na raiz da cadeia de montanhas resultante da colisão continental que ocorreu a 600 milhões de anos atrás. Desde então, as montanhas sofreram erosão continua, durante milhões e milhões de anos, até o relevo ficasse plano permitindo a exposição destas rochas profundas. Depois de expostas na superfície a chuva esculpiu o relevo de “Pão de Açúcar” formando a bela paisagem que podemos ver atualmente.

Fonte: Escaladas de Minas
 
Deixe um comentário

|| EXPONHA SUA OPINIÃO ||

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Create a free website or blog at WordPress.com.

%d bloggers like this: